Oswald de Andrade
Um poeta revolucionário


Oswald de Andrade (José Oswald Nogueira de Andrade) foi o maior representante da estética modernista no que se refere a estilo literário. Dentre as características mais marcantes de suas obras, destacamos a linguagem espontânea, livre de apegos no que diz respeito à sintaxe, o verso livre, a linguagem coloquial e irônica e o predomínio de um “português” genuinamente brasileiro.

Seu ideal era produzir uma literatura que fosse mais voltada para as raízes nacionais, que pudesse de alguma forma transcender tudo aquilo que era visto como modelo de “importação”, como também abolir todo o sentimentalismo camuflado na voz dos poetas pertencentes ao Romantismo, e centrar-se mais em uma realidade ligada aos problemas sociais da época.

Como marca de toda essa inovação literária, está a obra “Memórias Sentimentais de João Mira mar”, de Oswald de Andrade, é estruturada em 163 episódios, todos em forma de flashes, baseado em uma composição cinematográfica, mesclando prosa, poesia, piadas, cartas, diários, trechos de crônicas jornalísticas e discursos.

Vejam alguns textos de sua autoria:

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

Podemos perceber aqui que o poeta sutilmente faz uma crítica à questão do formalismo linguístico tanto explorado por artistas, principalmente do Parnasianismo, como é o caso de Olavo Bilac. Quando ele se refere à Nação Brasileira, está justamente colocando em prática o nacionalismo e as características que lhes são peculiares.

Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

(in Poesias Reunidas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1971.)

Neste, o poeta parodia por meio de um tom irreverente outro texto de Gonçalves Dias, também com o objetivo de repugnar os moldes românticos. Quando ele ressalta que: Minha terra tem mais rosas e quase que mais amores, o vocábulo “quase”, justifica o desmascarar da realidade social.

Relicário

No baile da Corte
Foi o Conde d'Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí

Altamente em voga, podemos identificar na poesia de Oswald a presença de um linguajar predominantemente coloquial, no intento de promover a ruptura com as estruturas da língua.

 

 

 

Oswald foi o autor dos dois mais importantes manifestos modernistas, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago, bem como do primeiro livro de poemas do modernismo brasileiro afastado de toda a eloquência romântica, Pau-Brasil.

Foi um dos interventores na Semana de Arte Moderna de 1922. Esse evento teve uma função simbólica importante na identidade cultural brasileira. Por um lado celebrava-se um século da independência política do país colonizador Portugal, e por outro consequentemente, havia uma necessidade de se definir o que era a cultura brasileira, o que era o sentir brasileiro, quais os seus modos de expressão próprios. No fundo, procurava-se aquilo que o filósofo alemão Herder, no final do século XVIII, já havia definido como alma nacional (volksgeist).

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Herder

Johann Gottfried von Herder ocupa lugar importantíssimo na história da literatura alemã, pelo movimento de ideias que provocou e o impulso que deu às novas gerações, particularmente ao jovem Goethe. Insistiu também no caráter natural evolutivo da linguagem, que teria surgido da imitação dos sons da natureza e seria capaz de evolução e crescimentos contínuos. Quanto à história, considerava-a uma característica de todas as realidades naturais. Todo o universo, segundo Herder, poderia ser entendido a partir de uma perspectiva histórico-evolutiva. Considerava que a história humana estava regida por um princípio imanente de bondade inteligente. Não só procurou estabelecer as leis gerais do desenvolvimento da história da humanidade como também fez estudos particulares sobre diversos povos.