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A seiva do Piauí

 

Teresa Cristina Cerqueira de Sousa
Professora, escritora, Acadêmica da L.A.L.B.

A manhã se inicia no Piauí. Chega a hora do trabalho. O vaqueiro, desde muito cedo, arruma-se para cuidar do gado ou da lavoura. As chuvas estão chegando, mas ainda se vê os riachos secos e os animais à procura de sombra das árvores!



Homens transportando água para beber numa carroça: interior do Piauí. 2013.

O Sr. João Batista costuma ir buscar água numa nascente e, como pode fazê-lo com a ajuda da carroça puxada por um burro devido à distância longa, vem com seu exercício de trazer o líquido para a família. É uma manhã de dezembro, ou talvez dos começos de janeiro para fevereiro, uma manhã de sol frio, mas de calor, como sempre na região, em que os caminhos e as pessoas sentem com o crescer do dia um vento menos quente e seco vindo de dentro da caatinga, que se atrela pelo cerrado, o presságio de chuva, mesmo que pequena, para o cair da tarde.
Talvez por vontade das formigas que passeiam pelo chão da cozinha, os meninos comentem na casa toda: “Hoje vai chover, que tem formiga pra todo lado!”. Sempre que se ouve essa fala, como é hábito, olha-se para o céu, mais para comprovar que a sabedoria do povo tem fundamento em questões de entender do tempo da região. O que não é fácil, pois alguns velhos costumam dizer que formiga nunca se cansa de procurar comida e de viver passeando pelas casas das pessoas... O que para todos fica mesmo é a vontade de que elas indiquem chuva.
O dia caminha cansado de calor, sem querer deixar uma nuvem dar seus passeios por perto do sol. Embora o tempo quente convide o homem rural para baixar uma rede na varanda de casa, segue-se com o trabalho da derrubada da palha de carnaúba, meio de sobrevivência de muitos trabalhadores do interior piauiense em meses que chamam de verão, indo de julho ao final do ano.



Jumentos carregando palhas de carnaúba no interior do Piauí. 2014.

Olha-se ao redor da estrada, e se ergue os olhos numa prece muda ao céu. De um lado os pés de faveiras, que tanto alimentam o gado, pedindo por uma brisa que as distraiam do forte calor; de outro, os urubus no alto de troncos velhos de carnaúbas, espreitando, à procura de alguma coisa para comer.



Urubu no alto de um tronco de carnaúba – Campo Maior - PI. 2014.


Enquanto assim os piauienses caminham. Aproximam-se de seus cercados, sentam-se debaixo de pés de cajuís (caju-do-cerrado): olhos alegres por mais dias que seguem na fiel tarefa de se agradecer a Deus por se saber amar o chão onde se vive – são pessoas que acreditam no amanhã!


Cajuís. 2013.

A religiosidade se completa com as festas do(a) padroeiro(a) nas cidades! Uma palavra de conforto e de brandura n’alma preenche o semblante e os passos de quem crê que o homem é um pedaço de uma natureza que dá sustento e que pede auxílio por chuvas.
E as ruas se enchem de fiéis católicos nas procissões... Nas igrejas, as orações são visíveis. Meninos, homens e velhos parecem estar no paraíso, sob os olhares das mulheres em vozes crepitantes de ave-marias e padre-nossos!...



Cidade de Piracuruca - PI, em procissão de da padroeira Nossa Senhora do Monte do Carmo.
Fonte: Ângelo, 16 de julho de 2014.

Tanto os verãos como o tempo das chuvas chegam!
Em belas manhãs, podem-se ver as flores do cerrado e da caatinga brotando nos mais diversos lugares do Piauí. E, numa primeira impressão, cogita-se de que elas nasçam, mesmo em lugares tão contraditórios do que dizem as condições climáticas ( a temperatura varia de 20° a 41°). Entretanto quando se acende o olhar até para o meio das pedras, flores das mais belas podem ser comtempladas!



Flor da caatinga do Piauí. 2014.

Reflete-se que se, de fato, numa região de clima tropical, com temperaturas elevadas, o nascer de flores igualmente adversas e em enorme profundidade de variedades confirmam a paixão por vida até em lugares pedregosos!
Reveste-se, assim, dentro das características do Piauí – a união de cerrado, caatinga e rios como o Parnaíba e seus afluentes, dando a essa forte terra um resultado destacável de maravilhoso espaço geográfico para se viver, o que conta como a seiva e o amor que repousam no coração dos piauienses.


 

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